Sinais de discalculia: quando e como pedir ajuda

Dificuldade em dizer qual é o número maior entre 4 e 6, confusão constante entre o "mais" e o "menos", ou precisar sempre de contar pelos dedos quando os colegas já calculam de cabeça são sinais que, isolados, não querem dizer nada de especial. Quando se repetem ano após ano, apesar do esforço e da prática, podem ser sinais de discalculia.
A discalculia é uma dificuldade específica de aprendizagem que afeta sobretudo a compreensão dos números e do cálculo. Tal como a dislexia, não tem relação com a inteligência do aluno: há crianças e jovens com discalculia que são excelentes a ler, a escrever ou noutras áreas, e ainda assim têm uma dificuldade persistente a lidar com quantidades, operações e raciocínio numérico.
Sinais a que vale a pena estar atento, por fase
Os sinais mudam consoante a idade e o ano de escolaridade. Nem todos aparecem ao mesmo tempo e nem todas as crianças mostram os mesmos.
No pré-escolar
- Dificuldade em aprender a contar pela ordem certa ou em saltar números ao contar
- Dificuldade em associar um número à quantidade que representa (por exemplo, perceber que "3" corresponde a três objetos)
- Dificuldade em perceber qual de dois números é maior, mesmo em comparações simples
- Evita jogos ou brincadeiras com números, dados ou contagens
No 1.º ciclo
- Continua a precisar de contar pelos dedos ou em voz alta para somas simples, já depois dos colegas terem deixado de precisar
- Troca ou inverte algarismos ao ler ou escrever números (lê "45" como "54", por exemplo)
- Dificuldade em memorizar a tabuada, mesmo com muita repetição
- Confunde os sinais das operações (+, −, ×, ÷) ou esquece-se do que cada um significa
- Dificuldade em perceber o valor do dinheiro ou em ler as horas num relógio analógico
No 2.º ciclo em diante
- Dificuldade em organizar os passos de um problema matemático, mesmo quando compreende o que é pedido
- Confusão persistente com frações, percentagens ou proporcionalidade
- Dificuldade em estimar distâncias, tempo ou ordens de grandeza (por exemplo, perceber que 2 metros é muito maior do que 2 centímetros)
- Ansiedade visível só de pensar em testes de matemática, mesmo quando estudou
- Evita sistematicamente disciplinas ou exercícios que envolvam números e cálculo
Um sinal isolado não chega para um diagnóstico. O que importa é o padrão: dificuldades que persistem ao longo do tempo, em mais do que uma situação, apesar do esforço do aluno e de já ter tido tempo suficiente de aprendizagem para as ultrapassar.
Quando e a quem pedir ajuda
Se reconhece vários destes sinais no seu filho, o primeiro passo é falar com o professor titular ou o diretor de turma. Quem acompanha o aluno todos os dias na sala de aula consegue perceber se a dificuldade também é visível ali e ajudar a decidir os próximos passos.
Se a dificuldade se confirmar e persistir, o passo seguinte costuma ser uma avaliação especializada, feita por um psicólogo, neuropsicólogo ou pedopsiquiatra, capaz de perceber se se trata mesmo de discalculia e não de outra causa, como uma base mal consolidada em anos anteriores ou um ritmo de aprendizagem diferente. Não existe um único teste que confirme a discalculia: o diagnóstico é clínico e baseia-se na história do aluno, relatada pela família e pela escola. A discalculia pode também aparecer junto com outras dificuldades, como a dislexia ou o TDAH, pelo que vale a pena olhar ao conjunto, não apenas à matemática.
Esta informação sobre a discalculia pode ser um bom ponto de partida para compreender melhor a dificuldade antes de procurar uma avaliação.
Como o TIN pode ajudar
No Centro de estudos TIN, o apoio a dificuldades de aprendizagem acompanha o aluno com estratégias adaptadas, trabalhando diretamente as competências que estão a dificultar o raciocínio numérico, e não só a repetir a matéria da escola. Vê toda a nossa oferta em serviços.
Este acompanhamento costuma andar lado a lado com explicações de matemática, para reforçar diretamente os conteúdos onde a dificuldade está a pesar mais na escola, ou com acompanhamento psicológico, para ajudar o aluno a lidar com a frustração e a ansiedade que estas dificuldades podem trazer. Quando há também dificuldades a ler ou a escrever, vale a pena ver os sinais de dislexia para perceber se há mais alguma coisa a trabalhar. Conheça os nossos centros em Lisboa, nos Olivais, no Saldanha e no Parque das Nações.
Se reconhece alguns destes sinais no seu filho, não precisa de esperar por um diagnóstico para começar a agir. Fala connosco e vemos juntos quais são os próximos passos.
Perguntas frequentes
A discalculia tem cura?
Não. A discalculia é uma característica que acompanha a pessoa ao longo da vida, não uma doença que se cura. Mas com o apoio certo, um aluno com discalculia consegue desenvolver estratégias que tornam o cálculo e o raciocínio numérico muito mais fáceis de gerir, e ter um percurso escolar perfeitamente normal.
A que idade se pode diagnosticar a discalculia?
Os primeiros sinais podem já ser visíveis no pré-escolar, mas um diagnóstico formal costuma acontecer mais tarde, quando a criança já está a fazer cálculos na escola e é possível perceber se a dificuldade é mesmo persistente. O mais importante não é esperar pela idade certa, mas agir assim que os sinais começam a repetir-se.
O meu filho não gosta de matemática. É sempre discalculia?
Não necessariamente. Não gostar de matemática, ou ter mais dificuldade do que noutras disciplinas, é comum e não quer dizer, por si só, que haja discalculia. Só quando os sinais são persistentes, aparecem desde cedo e se mantêm apesar do esforço e da prática é que vale a pena procurar uma avaliação especializada.
Outros artigos

Sinais de atraso de linguagem: quando procurar terapia da fala
Nem sempre é fácil perceber se o teu filho só está a demorar o seu tempo ou se há um atraso de linguagem a precisar de atenção. Vê os sinais mais comuns por idade e quando vale a pena pedir uma avaliação.

Sinais de dislexia: quando e como pedir ajuda
Nem sempre é fácil perceber se as dificuldades de leitura e escrita do teu filho são normais ou um sinal de dislexia. Vê os sinais mais comuns em cada fase e os passos a dar a seguir.