O seu filho troca letras ao escrever? Pode ser disortografia

Juntar palavras que deviam estar separadas, trocar letras com som parecido ou esquecer sistematicamente acentos e pontuação são erros que, isolados, não querem dizer nada de especial. Quase todas as crianças passam por uma fase assim quando aprendem a escrever. O que muda tudo é a persistência: quando os mesmos erros continuam a aparecer, ano após ano, apesar de já terem sido corrigidos várias vezes, pode ser um sinal de disortografia.
A disortografia é uma dificuldade específica de aprendizagem que afeta a capacidade de escrever com correção ortográfica, mesmo quando o aluno já sabe ler e já domina as regras que está a trocar. Não tem relação com a inteligência nem com a letra do aluno (isso é a disgrafia, que é diferente): é especificamente a transposição do som das palavras para a escrita correta que está a falhar. É frequente aparecer ao lado da dislexia, mas também pode surgir isolada.
Sinais a que vale a pena estar atento, por fase
Os sinais mudam consoante o ano de escolaridade e tornam-se mais claros à medida que a escrita avança. Nem todas as crianças mostram os mesmos sinais, nem ao mesmo tempo.
No 1.º ciclo, quando a escrita começa
- Troca de letras com som parecido ("f" por "v", "p" por "b", "t" por "d")
- Omissão de letras ou de sílabas inteiras ao escrever (por exemplo, "pato" escrito como "pao")
- Junção ou separação incorreta de palavras (por exemplo, "a bola" escrito como "abola")
- Dificuldade persistente em aplicar regras ortográficas já explicadas e treinadas várias vezes
- Textos muito mais curtos do que os dos colegas, como se a criança evitasse escrever mais do que o necessário
A partir do 2.º ciclo
- Erros ortográficos continuam a aparecer em palavras já corrigidas e treinadas repetidamente
- Dificuldade em usar corretamente a acentuação e a pontuação, mesmo depois de a regra já ter sido ensinada
- Confusão persistente entre palavras homófonas (como "à" e "há", "mais" e "mas", "ao" e "aos")
- Textos pouco organizados, com ideias difíceis de seguir no papel, apesar de o aluno conseguir explicá-las bem oralmente
- Resistência clara a tarefas de escrita, mesmo em disciplinas que não são de Português
Um sinal isolado não chega para um diagnóstico. O que importa é o padrão: erros que persistem ao longo do tempo, em mais do que uma situação, apesar do esforço do aluno e de já ter tido tempo suficiente para os ultrapassar.
Quando e a quem pedir ajuda
Se reconhece vários destes sinais no seu filho, o primeiro passo é falar com o professor titular ou o diretor de turma. É quem acompanha a escrita do aluno todos os dias e consegue perceber se a dificuldade também é visível na sala de aula.
Se a dificuldade se confirmar e persistir, o passo seguinte costuma ser uma avaliação especializada, feita por um psicólogo ou outro técnico com formação nesta área, capaz de perceber se se trata mesmo de disortografia e não de outra causa, como uma base mal consolidada em anos anteriores ou um ritmo de aprendizagem diferente. Vale também a pena ter em conta que a disortografia aparece muitas vezes ao lado de outras dificuldades, sobretudo a dislexia, pelo que uma avaliação completa costuma olhar ao conjunto da leitura e da escrita, não só à ortografia.
Este artigo sobre disortografia pode ser um bom ponto de partida para compreender melhor a dificuldade antes de procurar uma avaliação.
Como o TIN pode ajudar
No Centro de estudos TIN, o serviço de reeducação para a dislexia acompanha também as dificuldades de escrita e ortografia, com estratégias adaptadas ao ritmo de cada aluno. Não se trata de repetir a matéria da escola, mas de trabalhar diretamente as competências que estão a dificultar a escrita. Veja toda a nossa oferta em serviços.
Este acompanhamento pode andar lado a lado com explicações de português, para reforçar os conteúdos onde a dificuldade está a pesar mais na escola, ou com acompanhamento psicológico, para ajudar o aluno a lidar com a frustração que estas dificuldades podem trazer. Conhece os Centros de estudos TIN em Lisboa, nos Olivais, no Saldanha e no Parque das Nações.
Se reconhece alguns destes sinais no seu filho, não precisa de esperar por um diagnóstico para começar a agir. Fala connosco e vemos juntos quais são os próximos passos.
Perguntas frequentes
A disortografia tem cura?
Não. A disortografia é uma característica que acompanha a pessoa ao longo da vida, não uma doença que se cura. Mas com o apoio certo, um aluno com disortografia consegue desenvolver estratégias que tornam a escrita muito mais fácil de gerir, e ter um percurso escolar perfeitamente normal.
Disortografia é o mesmo que disgrafia?
Não. A disgrafia afeta o traçado da letra, ou seja, a forma como a criança desenha as letras à mão. A disortografia afeta a correção ortográfica do que é escrito, independentemente de a letra ser bonita ou feia. As duas podem existir junto, mas são dificuldades diferentes.
O meu filho troca letras ao escrever. É sempre disortografia?
Não necessariamente. Trocar letras com som parecido é comum nos primeiros anos de aprendizagem da escrita e, na maioria dos casos, resolve-se com a prática. Só quando este e outros sinais persistem ao longo do tempo, apesar do esforço e da correção repetida, é que vale a pena procurar uma avaliação especializada.
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