Dificuldades de Aprendizagem

Sinais de gaguez em crianças: quando procurar terapia da fala

Três crianças sentadas a uma mesa, a conversar com cartões ilustrados

Entre os 2 e os 4 anos, é comum uma criança repetir palavras inteiras ou hesitar a meio de uma frase, sem que isso seja motivo de preocupação. Já repetir a mesma sílaba várias vezes seguidas ("eu eu eu eu quero"), prolongar um som ("ééééu quero") ou bloquear sem conseguir começar a palavra, sobretudo se isto vem acompanhado de tensão visível na cara ou de frustração, são sinais de gaguez que vale a pena acompanhar com um terapeuta da fala.

A gaguez é uma perturbação da fluência da fala. Não tem relação com a inteligência da criança nem é causada por nervosismo dos pais ou por "deixar a criança nervosa", e também não é um hábito que se corrige a mandar "falar mais devagar". É uma dificuldade real a coordenar os músculos envolvidos na fala, que surge com mais frequência precisamente na fase em que a criança está a aprender a construir frases mais complexas.

Disfluência normal ou gaguez

Nem toda a hesitação ao falar é gaguez. Faz parte do desenvolvimento normal da linguagem uma criança pequena:

  • Repetir palavras ou frases inteiras ("quero, quero água")
  • Usar interjeições como "hã" ou "é assim" entre frases
  • Hesitar enquanto procura a palavra certa

Começa a ser um sinal de atenção quando aparece, em vez disso:

  • Repetição de partes de palavras ou de sílabas ("ca-ca-cão"), mais do que duas ou três vezes seguidas
  • Prolongamento de sons ("sssssol")
  • Bloqueios, em que a criança parece presa a tentar começar a palavra e nenhum som sai
  • Tensão visível na cara, no pescoço ou nas mãos ao falar
  • Mudar de palavra ou evitar falar em certas situações para não gaguejar

Quando vale a pena procurar uma avaliação

Não é preciso esperar que todos os sinais apareçam juntos. Faz sentido pedir uma avaliação a um terapeuta da fala quando:

  • As disfluências persistem há mais de seis meses, em vez de melhorarem com o tempo
  • Pioram ou tornam-se mais frequentes, em vez de diminuírem
  • Vêm acompanhadas de esforço físico visível (tensão, pestanejar, mexer a cabeça)
  • A criança começa a evitar falar, a mudar de palavras ou a recusar situações que exigem falar (ler em voz alta, responder na aula)
  • Há um historial de gaguez na família

Uma avaliação não significa automaticamente que vai ser preciso um acompanhamento longo. Muitas crianças atravessam uma fase de maior disfluência que se resolve sozinha, sobretudo antes dos 5 anos. O que a avaliação permite é distinguir essa fase passageira de uma gaguez que precisa de apoio, e, quando é o caso, começar cedo: a intervenção antes da entrada na escola costuma dar melhores resultados do que esperar até mais tarde.

O que pode acontecer na escola

Quando a gaguez não é acompanhada, o impacto nem sempre aparece primeiro na fala. Muitas vezes aparece primeiro na participação: o aluno deixa de se oferecer para ler em voz alta, evita responder mesmo sabendo a matéria, ou torna-se alvo de troça dos colegas, o que pode levar a mais ansiedade escolar e, nos casos mais graves, a situações de bullying. Vale a pena falar com o professor titular ou o diretor de turma para perceber como a criança está a gerir a situação na sala de aula, e não só em casa.

Como o TIN pode ajudar

No Centro de estudos TIN, o nosso serviço de terapia da fala avalia e acompanha crianças e jovens com dificuldades de comunicação, incluindo a gaguez, com um plano adaptado à idade e à situação de cada um. Vês toda a nossa oferta em serviços.

Este acompanhamento costuma ser mais eficaz quando os sinais são identificados cedo, à semelhança do que acontece noutras dificuldades de comunicação, como os sinais de atraso de linguagem. Quando a gaguez já está a afetar a confiança do aluno na escola, o apoio de dificuldades de aprendizagem ou de psicologia educacional e clínica pode complementar o acompanhamento. Temos centros em Lisboa, nos Olivais, no Saldanha e no Parque das Nações.

Se reconheces alguns destes sinais no teu filho, não precisas de esperar para agir. Fala connosco e vemos juntos quais são os próximos passos.

Perguntas frequentes

A gaguez desaparece sozinha?

Em muitas crianças pequenas, sim: a disfluência que surge por volta dos 2 ou 3 anos resolve-se sozinha ao longo de alguns meses, à medida que a linguagem amadurece. Quando persiste mais de seis meses, piora ou vem acompanhada de tensão e evitamento, deixa de ser apenas uma fase e vale a pena procurar uma avaliação.

Devo corrigir o meu filho ou pedir para repetir a frase com calma?

Não. Pedir para "falar mais devagar", terminar as frases por ele ou mostrar impaciência costuma aumentar a tensão e piorar a gaguez. É mais útil esperar com calma que a criança termine, manter o contacto visual normal e mostrar, pela tua própria forma de falar, um ritmo tranquilo, sem comentar a disfluência.

A gaguez é mais comum nalgumas crianças?

Sim. Surge com mais frequência entre os 2 e os 4 anos, é mais comum em meninos do que em meninas, e tende a ser mais frequente quando há outros casos de gaguez na família. Nenhum destes fatores, por si só, significa que a criança vai manter a gaguez na idade adulta, mas justifica estar mais atento aos sinais. A CUF tem informação adicional sobre a gaguez.

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